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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Aula Inaugural do Senhor Samuel Pinheiro Guimarães Neto no curso de DGEI

O curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional já está contando com 420 alunos e foi difícil arrumar espaço para todos ontem na Aula Inaugural com o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto.

Formado em 1963 em Direito pela FND, Faculdade de Direito da UFRJ, Samuel ingressou no mesmo ano no Itamarati e a partir daí, sua carreira decolou. É de certo que foi um estímulo a todos os alunos presentes e vou tentar repassar um pouco da experiência de ontem aqui para vocês.

Samuel é da época que a UFRJ ainda era chamada de Universidade do Brasil. Depois foi Mestre em Economia pela Boston University.
Foi secretário geral das relações exteriores do Ministério das Relações Exteriores, depois foi ministro chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Em 2011 foi designado embaixador Alto Representante Geral do Mercosul. Foi professor da UNB entre 1977 e 1979 e atualmente é professor do Instituto Rio Branco onde leciona Política Internacional e Política Externa Brasileira aos diplomatas que acabaram de entrar para o Instituto Rio Branco.
É autor dos livros "500 anos de periferia" e "Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes".
Foi eleito intelectual do ano em 2006 pela União Brasileira dos Escritores.

Vou tentar traduzir nosso encontro de ontem com frases dele. Entendedores entenderão. =)

"Não há Defesa sem Soberania, mas há Soberania sem Defesa."

"Se não houvesse Estados soberanos, não haveria guerra."

"Muitas edulcorações, muitos eufemismos em torno da palavra Defesa."

"Querem desarmar os países desarmados porque os países armados não ameaçam a paz não é?"

"O Brasil não tem a vocação de ser um país pequeno. Tem duas vezes e meia a população da Alemanha... Na verdade, tem que reinventar a forma de defender seus interesses."

"Ao assinar o Tratado de não-Proliferação de Armas Nucleares, o Brasil se autonomeou um país de segunda classe. Isso mostra o quanto somos vulneráveis."

"O Iraque só foi atacado sob o pretexto de que tinha armas de destruição em massa. Mas veja bem, ele só foi invadido porque sabiam que não tinha armas de destruição em massa. Senão ninguém atacaria, não é certo?"

O Embaixador também destacou que o Facebook e Twitter são armas de defesa dos Estados. Os Estados os financiam porque sai mais barato investigar o que acontece nas pequenas relações pessoais do que pagar outras formas difíceis de pesquisa para observar o que está se passando na cabeça das pessoas comuns.
Super Estratégico isso aí. Muitos de nós não havíamos pensado que poucas informações sobre nossas vidas traçam nossos perfis.
Inclusive, algo interessante sobre a aula de Segurança da Informação, é que se você se mostra uma personalidade exaltada, o Facebook passa a te oferecer notícias idiotas como fotos de brinquedinhos fofos que tentem acalmar seus ânimos. E se você anda muito paradão, o Facebook te manda notícias exaltadas para te provocar um senso crítico. É na verdade, uma arma para educar a população. Já pensou nisso?

Voltando,o Embaixador disse sobre o curso de DGEI, que "somos parte de uma tentativa de retomar os estudos de Defesa neste país".

Nas perguntas dos alunos, o embaixador citou que o Brasil tem sim muitos pesquisadores, mas que as empresas mandam suas pesquisas para fora do país num processo chamado de "Tropicalização" e que estas estimulam a pesquisa, não com base em conhecimento, mas com foco no produto final.

Acho que estas poucas frases traduzem o pensamento que ocorreu ontem na sala de aula. São inúmeros desafios que o Brasil tem de enfrentar, e sempre terá, não vamos nos prender nos clichês. Mas dentre tudo isto, o que mais me chamou atenção, foi a capacidade de pensamento estratégico do Embaixador, com anos de experiência e que cada um de nós dentro daquela sala sonha em ter um dia. Me chamou a atenção quando ele disse que temos como maior desafio: A CAPACIDADE DE O BRASIL SE REINVENTAR.

Lendo um livro de negócios ontem, li que tudo precisa ser reinventado para continuar sendo bom. Daí o problema de um país preso aos problemas que se repetem sempre na política, nos governos, na sociedade. Temos setores inovadores, claro, mas temos que punir de verdade os erros de gente grande que já sabe o que faz, temos que nos esforçar de verdade em renovar a sociedade, temos que pensar antes de reeleger estes mesmos erros...

As eleições veem aí.
Fiquem de olho.




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